Gravidez na adolescência – Uma carta a pais e filhos

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Gravidez na adolescência – Uma carta a pais e filhos

Por Walkiria Rius

Protestamos tanto contra a pobreza em nosso país, mas colocar um filho no mundo sem poder lhe oferecer dignidade é também colaborar para o aumento da pobreza intergeracional, a que nós poderíamos frear.

AOS PAIS:

A minha primeira gravidez foi aos 15 anos de idade e, diferente do pensamento dominante, mesmo entre os mais instruídos, eu não era nenhuma “periguete”. Entendo que o ponto crucial foi a falta de segurança em meu lar e perspectiva de futuro, eu não conseguia visualizar nada melhor para a minha vida do que ter um companheiro ao meu lado para me ajudar a ser feliz.

Por mais cansativo que seja, pai e mãe, vocês precisam ser porto seguro dos seus filhos. Não delegue ao namorado(a) do seu(ua) filho(a) a responsabilidade que é sua. É preciso trazê-los para perto, acompanhar de perto, inclusive, a vida íntima. Além de manter um bom diálogo, não abra mão das consultas médicas frequentes.

AOS FILHOS: 

Precisamos aceitar que enquanto adolescentes a nossa compreensão de mundo é limitada. Eu só tive consciência da dimensão do choque quando entrei na vida adulta: impacto financeiro, nos estudos, problemas de formação de identidade – era como se eu tivesse caído da escada da vida e saísse atropelando tudo pela frente.

Ainda que o seu lar seja insuportável e os pais abusivos, eu te asseguro que entregar-se por inteira e precocemente a um relacionamento amoroso não será a melhor escolha. Peça ajuda a uma professora de sua confiança, a um familiar próximo, ao Conselho Tutelar!

E quando você só quer “meter o loko”, ter relações sexuais durante sua adolescência com quem e na hora que quiser? Acredite, adolescente, você não precisa de sexo para ser feliz. Há uma imensidão de atividades que podem te dar muita alegria, sem comprometer seu futuro: ir ao show do seu cantor preferido com seus “parças”, viajar, aprender novos idiomas, cozinhar, malhar, juntar dinheiro para se dar muito presente, assistir todas as séries da Netflix. Mas, se ainda assim você decidir pelo sexo, dê uma prova de amor a si mesmo, indo ao postinho médico, procurando orientação e acesso a métodos que possam prevenir IST’s e, bem como, uma gravidez.

Ser obrigado a crescer e amadurecer junto com um filho é uma tarefa dura. A vida é muito mais do que as três refeições diárias. E não há valor algum de pensão alimentícia que pague os possíveis problemas emocionais decorrentes de uma gravidez precoce.

Walkiria Rius é Locutora há 17 anos, apresentadora da Rede Sara Brasil FM, produtora na TV Gênesis, editora do Jornal Radiofatos (da CRB), graduanda em Ciência Política e ativista na prevenção à gravidez na adolescência.

1 Comentário

  1. Ferreira Santos disse:

    Parabéns pelo artigo. Uma abordagem objetiva e direta sobre um tema infiltrado cotianamente no mundo juvenil por dentro de bairros e cidades Brasil a fora. Nos dias de hoje onde a maioria dos pais não têm autoridades sobre os filhos, o artigo serve de chamamento a sociedade e autoridades para implementação de políticas sociais voltadas ao amparo os jovens e pais.

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